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Revolta de Jacareacanga no governo JK

Século XX

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O presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira teve que enfrentar as forças conservadoras das Forças Armadas desde o início de seu mandato, em 31 de janeiro de 1956. Grupos da Aeronáutica próximos de políticos da União Democrática Nacional (UDN) acusavam o presidente eleito de ser próximo às forças de esquerda do país e que isso poderia abrir caminho para o processo de transformação do Brasil em um país comunista. Para evitar essa suposta esquerdização do país, um grupo de oficiais da Aeronáutica se rebelou contra a eleição de JK e ocupou, em fevereiro de 1955, a base área de Jacareacanga, no Sul do Pará, iniciando o que ficou conhecido como Revolta de Jacareacanga.

Este evento foi mais um dos fatos que evidenciaram a influência política que as Forças Armadas brasileiras sempre exerceram na História do país, desde, ao menos, a Guerra do Paraguai, apontando ainda a dificuldade em se enfrentar o corporativismo nesta instituição militar.

A Revolta de Jacareacanga esteve diretamente ligada às eleições de 1955, vencidas por JK e João Goulart, em novembro deste mesmo ano. A dupla, que fazia parte da chapa PSD-PTB, havia triunfado sobre os políticos da UDN, à qual se ligava parte dos oficiais da Aeronáutica.

Estes não aceitaram o resultado das eleições e tentaram impedir a posse, primeiro em 11 de novembro de 1955, com a tentativa de derrubar o presidente Café Filho e levar ao poder Carlos Luz. Esta ação foi impedida pelo Ministro da Guerra, Henrique Lott, no que ficou conhecido como Movimento de 11 de Novembro. O ministro decretou o estado de sítio e impediu o golpe de Estado, conseguindo a deposição de Carlos Luz pelo Congresso Nacional.

JK foi empossado, mas não conseguiu evitar uma nova tentativa de tirá-lo do poder. Com o objetivo de criar um foco contra o novo governo e tentando impedir represálias pela participação na ação de 11 de novembro de 1955, os oficiais da Aeronáutica, major Haroldo Veloso e o capitão José Chaves Lameirão, revoltaram-se contra o governo. Em voo que saiu do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, em 10 de fevereiro de 1956, os dois oficiais desviaram a rota e se direcionaram à base aérea de Jacareacanga, no Sul do Pará, onde desembarcaram e formaram seu quartel-general.

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A Revolta de Jacareacanga durou 19 dias. Neste pequeno período, os oficiais revoltosos conseguiram dominar as cidades de Santarém, Itaituba, Aragarças e Belterra, que se localizavam próximas à base aérea. O apoio popular recebido fortaleceu a posição dos oficiais. O governo tentou conter rapidamente o golpe, mas algumas situações impediram o êxito da repressão.

A primeira foi o envio do major Paulo Victor da Silva, de Belém, para conter a ação. No contato com os oficiais golpistas, o major Paulo foi convencido da necessidade do golpe, juntando-se a eles. A segunda foi a recusa de vários oficiais em aderir à repressão por se tratar de oficiais companheiros de farda. O corporativismo dos oficiais da Aeronáutica só foi superado em 29 de fevereiro de 1956, quando tropas que se posicionavam a favor das premissas legais que possibilitaram a eleição de JK conseguiram deter o movimento.

A maioria dos revoltosos fugiu, exilando-se em países da América do Sul, como a Bolívia. O único a ser preso foi o major Haroldo Veloso. Entretanto, no mesmo ano, JK enviou ao Congresso Nacional um pedido de anistia, que foi aprovado possibilitando a volta dos oficiais ao Brasil e a soltura do major Haroldo Veloso.

Apesar de ter sido uma revolta pequena, ela mostra o quanto as Forças Armadas brasileiras em sua história interferiram na política nacional, burlando a lei em muitos casos para fazer valer seus posicionamentos.

*Créditos da imagem: Shutterstock e Georgios Kollidas


Por Tales Pinto
Graduado em História

SÉCULO XVI AO XIX
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