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O domingo sangrento russo

Século XX

No dia 9 de janeiro de 1905, manifestantes russos foram assassinados em São Petersburgo, originando o dia que ficou conhecido como o domingo sangrento
No dia 9 de janeiro de 1905, manifestantes russos foram assassinados em São Petersburgo, originando o dia que ficou conhecido como o domingo sangrento
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Em 1799, a França conquistava sua liberdade perante a monarquia. Liderados por Napoleão Bonaparte, os franceses derrubaram o Antigo Regime, inaugurando a primeira revolução burguesa da história. Movida por ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, a França influenciou outros países a fazerem suas revoluções (ou tentativas) mundo afora. Dentre eles, a Rússia, em 1905.

No século XIX, a Rússia participou de um cenário comum entre os países europeus: o fim dos governos absolutistas. Os russos estavam descontentes com as péssimas condições de vida, consequência do governo autocrático czarista. Nesse período, várias tentativas de revolução ocorreram (até a derrubada do czar, em 1917), todas sem sucesso. Em 1825, oficiais revoltosos do exército desafiaram o governo absolutista do czar. Influenciados pela Revolução Francesa, os oficiais partiram para a luta. Foram derrotados e sufocados de forma desumana, mas seus ideais influenciaram novos levantes contra o regime czarista. Em 1881, um ataque à bomba, por parte de um revolucionário russo, pôs fim à vida do czar Alexandre II. Após esse fato, o regime czarista passou a reprimir impiedosamente os manifestantes.

Os russos se referiam ao czar Nicolau II como “paizinho”. No século XX, a situação russa piorou. Foi abolida a escravatura, mas, ao invés de melhorar, isso trouxe novos problemas. Os russos, independentes, tinham que se virar para sobreviver. Esse fato influenciou o êxodo rural e, a cada dia, milhares de russos chegavam à capital, São Petersburgo, motivados por promessas de uma vida mais digna. Mas, ao chegar, enfrentavam situação pior. O frio, a fome e o desemprego assolavam. O “paizinho” nada fazia. Para completar, a Rússia entrou em guerra contra o Japão, pela posse da Coreia. Perdeu e o país enfrentou uma grave crise econômica.

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Desgostosos quanto à forma de governo do czar, um grupo de operários e familiares, liderados pelo padre George Gapon, marcharam rumo ao palácio de Inverno, em São Petersburgo. Para mostrar que o protesto era pacífico, cantavam hinos de adoração ao czar e levavam artefatos religiosos. O czar Nicolau II, venerado pelos russos por sua reputação, estava ausente, e seus soldados, amedrontados, abriram fogo contra os manifestantes. As ruas estavam cobertas de neve. O sangue de 200 manifestantes, mortos no ataque, tingiu as ruas brancas de neve, instaurando o domingo sangrento.

Depois desse confronto, o prestígio do czar caiu. Várias revoltas eclodiram por toda a Rússia. Em 1906, o czar conseguiu conter essa insurreição e manter seu governo, mas, em 1917, veio a queda. Liderados por Vladimir Lênin, a Rússia derrubou Nicolau II e o regime czarista.

Por Demercino Júnior
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

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