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Cinema e guerra: representações fílmicas sobre a guerra do Vietnã

Século XX

As representações cinematográficas da guerra do Vietnã
As representações cinematográficas da guerra do Vietnã
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No ano de 1954 foi realizada a Conferência de Genebra, cujo objetivo era a unificação do Vietnã, o que não aconteceu. O Vietnã, então, foi dividido em duas partes: o sul, com características capitalistas; e o norte, comunista.

O início da guerra do Vietnã se deu a partir do não cumprimento da Conferência de Genebra. Entretanto, os principais motivos do conflito foram ideológicos: o bloco de países capitalistas, liderado pelos Estados Unidos da América, declarou hegemonia sobre o bloco de países comunistas, que tinha a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) como principal país.

O Vietnã do Norte, que compactuava com a ideologia comunista, foi apoiado pela China e pela União Soviética (comunistas); e o Vietnã do Sul, sob influência da ideologia capitalista, encontrava-se numa ditadura financiada pelos Estados Unidos, que visavam evitar a expansão comunista. O conflito teve início a partir desse confronto de ideologias (capitalismo vs. comunismo), caracterizado pela ascensão da Guerra Fria no pós-II Guerra Mundial.

A guerra do Vietnã ficou bastante marcada na história dos conflitos dos quais os Estados Unidos participaram, pois os vietnamitas empreenderam uma enorme vitória sobre as tropas norte-americanas, ‘manchando’ a imagem da força bélica dos Estados Unidos no século XX. É importante ressaltar que a imprensa participou ativamente da guerra, retratando as mazelas e a violência do conflito.

Inicialmente o cinema exerceu uma reflexão crítica sobre o conflito; mas depois algumas obras cinematográficas ajudaram na construção de uma ideologia capitalista sobre a guerra. No ano de 1979, o diretor de filmes Francis Ford Coppola dirigiu o clássico filme “Apocalypse Now”. Tal filme nos transmitiu a voracidade de uma guerra, a influência que a guerra causa nas pessoas, a loucura, a insensatez, o ódio, o desprezo. O diretor demonstrou um ato desmedido dos norte-americanos, que ao mesmo tempo em que ceifaram milhares de vidas vietnamitas, também perderam vários jovens no conflito.

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Em 1986, o diretor Oliver Stone lançou o filme “Platoon”. Stone utilizou o mesmo viés de Coppola, quando tentou demonstrar a loucura, a violência e a carnificina sem sentido da guerra, demonstrando que os horrores da guerra superam qualquer sentimento nacional, de patriotismo. Os dois filmes se constituíram como uma dura crítica à política bélica norte-americana e à ideologia capitalista.

Na década de 1980, no entanto, a indústria cinematográfica estadunidense lançou o filme ‘Rambo I’, do diretor Ted Kotcheff – posteriormente seriam lançados ‘Rambo II’, ‘Rambo III’ e Rambo IV’. Todos eles teriam uma abordagem diferente das apresentadas por Stone e Coppola. As sequências de Rambo foram produzidas para afirmar a ideologia capitalista e a força bélica norte-americana. Somente um soldado lutaria e venceria todos os vietcongues. Nos filmes fica clara a proposta da construção de uma representação dos comunistas como violentos, desumanos; enquanto o Rambo, ao contrário, representaria a coragem, o valor humano ético e moral, o salvador da humanidade.

Todavia, podemos compreender como a disputa ideológica está sempre presente nas mais variadas esferas da vida. A indústria cinematográfica que criticou a violência e o massacre da guerra do Vietnã não é tão conhecida pela população: poucas pessoas conhecem os filmes “Apocalypse Now” e “Platoon”; ao contrário do filme Rambo e suas mais variadas versões. Se perguntarmos para qualquer pessoa ocidental que nasceu na década de 1980, poucos vão dizer que não conhecem a sequência de Rambo. Assim, a guerra ideológica continua reproduzindo a imagem dos vietcongues como malvados, desumanos e terroristas.

Leandro Carvalho
Mestre em História

SÉCULO XVI AO XIX
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