Topo
pesquisar

Batalha de Berlim e a queda do Nazismo

Século XX

A Batalha de Berlim mobilizou 2,5 milhões de soldados soviéticos, que cercaram e atacaram essa cidade no último grande combate do cenário europeu da Segunda Guerra Mundial.
Refugiados berlinenses em uma estação ferroviária da cidade em foto de 1945
Refugiados berlinenses em uma estação ferroviária da cidade em foto de 1945
PUBLICIDADE

A Batalha de Berlim, travada em abril de 1945, foi o confronto final do cenário de guerra europeu durante a Segunda Guerra Mundial. Essa cidade foi palco de uma sangrenta batalha, na qual 2,5 milhões de soldados soviéticos cercaram e conquistaram o último grande foco de resistência alemã. A conquista da capital alemã levou ao fim da guerra na Europa com a rendição dos nazistas.

Antecedentes

O ano de 1945 estava sendo trágico para os alemães, pois, somente nos quatro primeiros meses do ano, mais alemães morreram na guerra do que em todo o período de 1942 e 1943|1|. Os alemães haviam sofrido duras derrotas em todas as frentes possíveis: em janeiro e fevereiro sofreram pesadas derrotas nas Ardenas e em Budapeste, e o país era constantemente bombardeado pelos Aliados.

A decadência da Alemanha na guerra estava diretamente relacionada com o enfraquecimento da economia que se acentuou com o fracasso da invasão da União Soviética a partir de junho de 1941. Essa ocupação cumpria um papel econômico vital para a Alemanha, que buscava obter as fontes de recursos dos soviéticos para manter a economia alemã em funcionamento durante a guerra.

O fracasso em dominar a União Soviética resultou no esgotamento da economia alemã que não conseguiu suportar o esforço necessário para que a luta pudesse ser mantida em alto nível. Assim, a partir de 1942, durante a Batalha de Stalingrado, os alemães sofreram uma pesada derrota para os soviéticos.

O declínio alemão tornou-se perceptível com o acúmulo de fracassos no período de 1943-1944:

  • Derrota para os soviéticos em Kursk em 1943;

  • Derrota no Norte da África e desembarque Aliado na Sicília em 1943;

  • Desembarque Aliado na Normandia em 1944.

Em 1945, um prelúdio do que estava à espera de Berlim caiu sobre a cidade de Budapeste: um gigantesco ataque soviético trouxe destruição, saque e estupros em massa. A única esperança dos alemães era que a cidade de Berlim fosse conquistada por britânicos e americanos (o que não aconteceu).

A conquista de Berlim

Selo ucraniano em homenagem ao comandante Gueorgui Zhukov, que liderou tropas soviéticas no ataque contra Berlim*
Selo ucraniano em homenagem ao comandante Gueorgui Zhukov, que liderou tropas soviéticas no ataque contra Berlim *

O ataque contra a cidade de Berlim foi a fase final da ofensiva soviética contra os nazistas e mobilizou mais de 2,5 milhões de soldados, auxiliados por 6.250 blindados e 7.500 aeronaves|2|. Esse ataque foi planejado pessoalmente pelo líder soviético, Josef Stalin, e executado pelos comandantes Konev e Zhukov.

A ofensiva contra Berlim iniciou-se no dia 16 de abril de 1945, quando os soviéticos avançaram contra as posições de defesa alemã instaladas nas colinas de Seelow (arredores de Berlim). O ataque soviético contra Seelow lançou contra os alemães, somente no primeiro dia, a inacreditável quantidade de 1.236.000 de bombas|3|.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

A mobilização de tantos recursos para a captura da capital alemã evidenciava a alta prioridade dada a essa missão por Stalin. A obsessão do líder soviético por Berlim pode estar relacionada com um desejo de promover uma vingança pessoal contra os alemães, que tanta destruição causaram na União Soviética. Entretanto, Stalin também tinha interesse em ter acesso a informações secretas de cientistas alemães sobre a produção de armas atômicas.

Os civis que não conseguiram fugir de Berlim a tempo (ou não tinham condição) estocaram o máximo de suprimentos possível e abrigaram-se em porões para proteger-se dos pesados bombardeios soviéticos. Além da população comum, muitos líderes do Partido Nazista fugiram da cidade enquanto havia tempo e sugeriram que seu líder, Hitler, fizesse o mesmo. Ele, no entanto, negou-se a fugir de Berlim.

Assim que os soviéticos adentraram as ruas de Berlim, foi iniciado um intenso combate que disputava o controle de cada rua e quarteirão. O papel de resistência dos alemães ficou a cargo de tropas compostas, em geral, por crianças e idosos, o que evidenciava o declínio alemão e a falta de soldados para lutar no final da guerra.

Suicídio de Hitler e a queda do Nazismo

A vitória dos soviéticos em Berlim deu início a uma série de ataques contra a população berlinense. Os destaques vão para os saques em massa, que foram realizados por toda a cidade, e os estupros cometidos pelos soldados soviéticos. Estimou-se, à época, que de 95 a 130 mil mulheres foram estupradas (algumas repetidas vezes) e, destas, cerca de 10 mil morreram em decorrência desse tipo de violência|4|.

Hitler passou os seus últimos dias de vida escondido em seu abrigo subterrâneo, que ficava a cerca de 300 metros do parlamento alemão. Ele permaneceu esse tempo com parte de sua cúpula e com sua esposa Eva Hitler. Os dois cometeram suicídio no dia 30 de abril de 1945, logo após os soviéticos terem conquistado o prédio do parlamento (Reichstag). Hitler deu um tiro na sua cabeça e Eva tomou ácido cianídrico.

Com a cidade de Berlim conquistada e Hitler morto, o poder foi repassado para Karl Dönitz, que tratou de assinar a rendição da Alemanha em 2 de maio de 1945. O ataque contra Berlim custou-lhes cerca de 100 mil mortos para os soviéticos. Para os nazistas, a derrota representou a ocupação da Alemanha pelos Aliados, que iniciaram a caçada contra os líderes nazistas para julgá-los por crimes contra a humanidade, relacionados, sobretudo, com o Holocausto.

|1| HASTINGS, Max, Inferno; o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeirp: Intrínseca, 2012, p. 636.
|2| Idem, p. 643.
|3| BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 817.
|4| Idem, p. 831.

*Créditos da imagem: Amateur007 e Shutterstock


Por Daniel Neves
Graduado em História

SÉCULO XVI AO XIX
  • SIGA O BRASIL ESCOLA
Guerras Brasil Escola