Topo
pesquisar

Acordos de paz de Paris (1973)

Século XX

Os acordos de paz de Paris (1973) tinham a pretensão de pôr fim à longa Guerra do Vietnã.
Os acordos de paz de Paris, de 1973, tinham o objetivo de pôr fim à Guerra do Vietnã
Os acordos de paz de Paris, de 1973, tinham o objetivo de pôr fim à Guerra do Vietnã
PUBLICIDADE

Sabemos que a Guerra do Vietnã foi um dos acontecimentos mais funestos do século XX. Ela é considerada por muitos historiadores e jornalistas como a operação militar mais desgastante e mal resolvida de que os Estados Unidos da América participaram diretamente. Atravessando três décadas (entre 1950 e 1970) do período conhecido como Guerra Fria, a Guerra do Vietnã tornou-se alvo de severas críticas das sociedades civis americana e europeia ao longo dos anos 1960. A pressão de políticos contrários à guerra e de movimentos pacifistas fez com que, no início da década de 1970, alguns acordos de paz fossem assinados com o objetivo de dar fim imediato à guerra. Essas negociações realizaram-se em 27 de janeiro de 1973, na cidade de Paris, e ficaram conhecidas mundialmente como Acordos de Paz de Paris.

As principais pautas dos acordos de paz de Paris versavam sobre 1) a libertação dos prisioneiros de guerra americanos sob custódia do Vietnã do Norte (de orientação política comunista), que era, com os guerrilheiros vietcongs (atuantes no Vietnã do Sul), inimigos do Vietnã do Sul e dos EUA – que estavam juntos na guerra; 2) a retirada das tropas dos EUA do solo vietnamita; e 3) o desenvolvimento de políticas democráticas que assegurassem a reunificação pacífica dos dois lados do Vietnã.

Os personagens centrais desse processo de negociação foram os diplomatas Le Duc Tho, do Vietnã do Norte, e Henry Kissinger, dos EUA. Kissinger encabeçou as negociações apresentadas acima antes de janeiro de 1973. Os esforços para dar fim à guerra intensificaram-se após a ofensiva do Tet, ocorrida em 30 de janeiro de 1968, que consistiu em um ataque coordenado do Vietnã do Norte contra sul-vietnamitas e americanos. Entretanto, mesmo em meio às negociações que visavam à assinatura dos acordos, o governo de Richard Nixon autorizou retaliações ao Vietnã do Norte, como o maciço bombardeio de dezembro de 1972.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Um mês depois, com os acordos assinados, os EUA retiraram suas tropas do solo vietnamita. Mas ao contrário do previsto, não houve cessar-fogo imediato. Pelo contrário, norte-vietnamitas e vietcongs aproveitaram-se da falta do apoio americano que era dado aos sul-vietnamitas (o que provocou a rápida desagregação de seu exército) e avançaram sobre seu território. Pressionado, o então presidente do Vietnã do Sul, Nguyen Van Thieu, renunciou no dia 21 de abril de 1975. Nove dias depois os norte-vietnamitas ocuparam a capital do Vietnã no Sul, Saigon.

A decisão do Congresso americano, em junho de 1975, de proibir qualquer novo envolvimento militar dos EUA no Sudeste Asiático, como diz o pesquisador Demétrio Magnoli, “desmoralizou as promessas de Nixon a Van Thieu de reagir pela força a uma eventual violação do cessar-fogo por parte do Vietcong. Menos de um ano e meio depois, forças do Vietnã do Norte entraram vitoriosas em Saigon, encerrando a segunda guerra indochinesa. O Vietnã foi reunificado em 1976 e a cidade de Saigon, rebatizada em homenagem a Ho Chi Minh.[1]

NOTAS

[1] MAGNOLI, Demétrio. “Guerras da Indochina”. In: MAGNOLI, Demétrio. (org.) História das Guerras. São Paulo: Contexto, 2013. p. 415.


Por Me. Cláudio Fernandes

SÉCULO XVI AO XIX
  • SIGA O BRASIL ESCOLA
Guerras Brasil Escola