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Guerra Franco-Prussiana e a unificação alemã

Séculos XVI ao XIX

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Entre os anos de 1870 e 1871 eclodiu a Guerra Franco-Prussiana entre a França e a Prússia, um reino germânico forte militarmente e com economia bem desenvolvida, que havia verificado um intenso processo de industrialização durante o século XIX. A guerra foi crucial para a Unificação Alemã, reunindo em um único império os demais reinos germânicos.

Do lado francês, ela serviu para a derrubada do regime de Napoleão III e também para a eclosão da Comuna de Paris, além de gerar o chamado revanchismo francês, que seria uma das causas da I Guerra Mundial.

A Guerra Franco-Prussiana foi considerada ainda a primeira guerra moderna da história, principalmente em face da estratégia adotada pela Prússia. A obrigatoriedade da prestação do serviço militar e o forte desenvolvimento industrial aliado à indústria bélica, além dos armamentos e das táticas utilizadas (principalmente a preparação para uma guerra prolongada), foram cruciais para a vitória prussiana.

O motivo inicial da guerra esteve relacionado com os interesses de unificação dos Estados germânicos, capitaneados pela Prússia e liderados por seu rei Guilherme I. O grande artífice do processo foi o chanceler prussiano Otto von Bismarck, que já havia levado a cabo conflitos contra a Áustria e Dinamarca. A guerra contra a França deveria servir para a expansão do território prussiano, como também servir de estímulo à unificação dos Estados germânicos do sul, que ainda não haviam aderido à Confederação Alemã do Norte.

Para conseguir o feito, os prussianos tentaram interferir na sucessão ao trono espanhol, após a Revolução Espanhola de 1868. Guilherme I tinha interesse em colocar no trono espanhol Leopoldo Hohenzollern, o que desagradava à França e a Napoleão III, por representar um avanço da influência prussiana na Europa ocidental. Com a ameça de Napoleão III de iniciar uma guerra, a tentativa de entronar Leopoldo não foi adiante.

Entretanto, Otto von Bismarck realizou uma manobra para a França declarar guerra à Prússia. No chamado Despacho de Ems, Bismarck adulterou uma carta de Guilherme I, que foi publicada na imprensa, referente a um encontro com o embaixador francês. A adulteração fez a carta soar como um insulto a Napoleão III, que declarou guerra à Prússia. A manobra de Bismarck teve como pano de fundo o nacionalismo germânico, já que uma guerra externa serviria como um estímulo à unificação dos Estados que ainda não haviam aderido à Confederação Alemã do Norte.

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Soldados examinando uma metralhadora durante a Guerra Franco-Prussiana
Soldados examinando uma metralhadora durante a Guerra Franco-Prussiana

Com o início da Guerra Franco-Prussiana, em julho de 1870, as tropas germânicas conseguiram uma rápida e fulminante vitória sobre os franceses, iniciando o avanço territorial a partir da Alsácia. Sob o comando do general Helmuth von Moltke, as tropas germânicas saíram vitoriosas nas batalhas de Gravelotte e Sedan. Em seis meses, os prussianos conseguiram chegar a Paris.

Napoleão III foi feito prisioneiro nessa última, representando o fim do II Império Francês e o início da Terceira República. Em janeiro de 1871, na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes, Guilherme I foi coroado imperador do Reich Alemão.

Tal situação levou à construção de um sentimento de vergonha entre parte da população francesa, que desembocaria no chamado revanchismo francês. Esses sentimentos nacionalistas seriam utilizados para a eclosão da I Guerra Mundial. Além disso, pelo Tratado de Frankfurt, a França teve que ceder ao Reich os territórios da Alsácia e Lorena, ricos em carvão e minérios, além de pagar pesadas indenizações e reconhecer o Império Alemão.

Mas antes de se concretizar essa situação, tropas prussianas e francesas tiveram que retomar a cidade de Paris, que estava sob controle dos trabalhadores e da Guarda Nacional, durante os dois meses de vigência da Comuna de Paris.

Charge ironizando Bismarck e Napoleão III durante a Guerra Franco-Prussiana
Charge ironizando Bismarck e Napoleão III durante a Guerra Franco-Prussiana


Por Me. Tales Pinto

SÉCULO XVI AO XIX
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