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Guerra da Cisplatina

Séculos XVI ao XIX

A Guerra da Cisplatina (1825 e 1828) foi um conflito travado entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata pelo controle da Cisplatina (atual Uruguai).
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A Guerra da Cisplatina foi um conflito travado pelo Império do Brasil contra as Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina) pelo controle da Cisplatina, região que atualmente conhecemos como Uruguai. Essa foi a primeira guerra de que o Brasil participou como nação independente e estendeu-se de 1825 a 1828. O resultado do confronto foi desastroso para o Brasil, que, além de perder a Cisplatina, teve de amargar uma intensa crise econômica.

Por que ocorreu a Guerra da Cisplatina?

A região da Cisplatina (atual Uruguai) era um local de tensão e atrito desde o período colonial. A disputa pela Cisplatina teve como marco estipulado pelos historiadores o ano de 1680, quando a Coroa Portuguesa autorizou a construção de um forte na margem oriental do Rio da Prata. Surgia nesse momento a Colônia de Sacramento.

A Colônia de Sacramento foi alvo de intensa disputa entre portugueses e espanhóis. Foram assinados diversos tratados territoriais entre as duas nações, tais como o Tratado de Madrid (1750), o Tratado de El Pardo (1761) e o Tratado de Santo Ildefonso (1777). No entanto, apesar dos tratados, a disputa e a indefinição acerca do controle de Sacramento permaneceram durante o século XIX.

A partir de 1808, D. João VI transferiu a Corte Portuguesa para o Brasil por conta da invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas. O impacto disso no Brasil foi imediato, inclusive na questão das relações internacionais. Em represália à ação dos espanhóis de permitir que as tropas francesas cruzassem seu território para invadir Portugal, D. João ordenou a invasão de Sacramento e nomeou a região de Cisplatina.

Aconteceram duas invasões dos portugueses na região. Em 1816, a Cisplatina foi invadida de maneira definitiva e agregada ao território de Reino de Portugal, Brasil e Algarves. As tropas brasileiras eram lideradas por Francisco Frederico Lecor e eram formadas por aproximadamente 14 mil soldados. Os objetivos, conforme lista Chico Castro, eram dois|1|:

  1. Reunir sob o domínio português as colônias espanholas;

  2. Expulsar um revolucionário local chamado José Artigas.

A ocupação da Cisplatina por Portugal aumentou a tensão e o desgaste que existiam na região platina porque o comandante Lecor indispôs-se bastante com a população local, agindo de maneira autoritária. Além disso, o desgaste do Reino de Portugal com as Províncias Unidas, sobretudo, com a elite portenha (de Buenos Aires), aumentou consideravelmente.

Em 1822, o Brasil declarou a sua independência sob a liderança de Dom Pedro I, e a anexação da Cisplatina ao território brasileiro foi confirmada. A região, inclusive, mandou representantes para a Assembleia Constituinte que redigiu a primeira Constituição do Brasil (a que foi rejeitada por D. Pedro I em 1823).

Por causa da tensão permanente na Cisplatina, iniciou-se uma rebelião, em 1825, organizada por Juan Antonio Lavalleja. Nessa rebelião, Lavalleja e seus aliados (conhecidos como “33 orientais”) declararam a separação da Cisplatina do Brasil e a sua vinculação com as Províncias Unidas. Essa atitude de Lavalleja aconteceu porque ele e seus aliados estavam sendo apoiados material e financeiramente pelos portenhos.

Objetivos

Os objetivos de cada lado podem ser resumidos da seguinte maneira:

  • Brasil: colocar fim à rebelião na Cisplatina e retomar o controle da região.

  • Uruguai: do movimento liderado por Lavalleja, o objetivo principal era anexar-se às Províncias Unidas, mas havia uruguaios que defendiam a independência.

  • Províncias Unidas: garantir a anexação da Cisplatina ao seu território.

Veja também: A guerra que deixou os bolivianos sem mar

Batalhas da Guerra da Cisplatina

Em 10 de dezembro de 1825, o Brasil de D. Pedro I declarou guerra às Províncias Unidas, marcando o início oficial da Guerra da Cisplatina.**

Em 10 de dezembro de 1825, o Brasil de D. Pedro I declarou guerra às Províncias Unidas, marcando o início oficial da Guerra da Cisplatina.**

Uma vez deflagrada a rebelião na Cisplatina, a ação do imperador foi de intervir militarmente para evitar a perda da província. A rebelião foi iniciada em abril de 1825, e as ações tomadas pelo imperador a partir desse momento foram entendidas pelos historiadores como precipitadas. Chico Castro sugere dois erros capitais cometidos entre o início da rebelião e a declaração formal de guerra|2|:

  • Decreto de dezembro de 1825 que impedia a circulação de navios nos portos da região platina;

  • Anúncio de D. Pedro I oferecendo recompensas pela captura de Lavalleja e Frutuoso Rivera (militar aliado da rebelião).

As ações de D. Pedro I serviram apenas para agravar os ânimos na Cisplatina. Além disso, os altos gastos e a truculência de Lecor contra a população local não foram de serventia alguma para o Brasil. A guerra foi oficialmente declarada em 10 de dezembro de 1825, mas os historiadores apontam que antes disso já haviam acontecido batalhas entre as tropas brasileiras e as tropas republicanas (rebeldes da Cisplatina).

Para piorar a situação do Brasil, a economia estava em frangalhos, e o Império mal tinha condições de pagar o funcionalismo. Mesmo assim, D. Pedro I optou por declarar a guerra contra as Províncias Unidas na data mencionada. Durante o conflito, algumas batalhas foram travadas, sendo a maioria delas conflitos de pequena escala. Algumas das batalhas da Guerra da Cisplatina foram:

  • Batalha do Rincão das Galinhas: foi travada em setembro de 1825, e as tropas brasileiras foram derrotadas.

  • Batalha de Juncal: batalha naval de fevereiro de 1827 em que a Marinha brasileira foi derrotada.

  • Batalha de Ituzaingó: batalha travada em 20 de fevereiro de 1827 em que, novamente, as tropas brasileiras foram derrotadas.

Conclusão: quem ganhou a Guerra da Cisplatina?

A derrota sofrida na Batalha de Ituzaingó foi duríssima para as tropas brasileiras, uma vez que cerca de 1.200 brasileiros morreram nela. Logo após, o Brasil concordou em iniciar negociações para tratar da cessão definitiva da Cisplatina para os uruguaios. O resultado dessa negociação foi a assinatura da Convenção Preliminar de Paz em 27 de agosto de 1828. Nesse momento, o Brasil assinou o fim das suas pretensões territoriais sobre a Cisplatina e aceitou a derrota militar.

Há, no entanto, que se considerar que os argentinos também não alcançaram os seus objetivos, uma vez que no início do conflito os uruguaios haviam anunciado a sua vinculação com as Províncias Unidas. Nesse acordo, argentinos e brasileiros concordaram pelo fim de suas pretensões na Cisplatina e pela independência da região. Surgiu, assim, a República Oriental do Uruguai.

Consequências

As consequências dessa guerra para o Brasil foram gravíssimas. Primeiramente, a guerra ampliou a crise econômica que atingia o país. Os gastos com o conflito foram gigantescos e quebraram a economia brasileira. Além disso, essa situação foi agravada pelo fato de que, durante os anos da guerra, a Casa da Moeda emitiu grande volume de moeda, o que causou a sua desvalorização.

A guerra também contribuiu para desgastar a imagem de D. Pedro I. O imperador vinha sofrendo um desgaste contínuo desde 1822 por causa de seu autoritarismo. Ao final da guerra, a derrota e a crise econômica fizeram a sua popularidade despencar.

|1| CASTRO, Chico. A noite das garrafadas. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2013, p. 122.
|2| Idem, p. 124-125.

*Créditos da imagem: Commons

**Créditos da imagem: Georgios Kollidas e Shutterstock

 

Por Daniel Neves
Graduado em História

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