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Grande Exército Francês de Napoleão Bonaparte

Séculos XVI ao XIX

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Após a primeira fase da Revolução Francesa, que demorou dez anos, indo de 1789 a 1799, teve-se início a chamada Era Napoleônica. Napoleão Bonaparte permaneceu no poder por 15 anos (sendo 10 destes 15 como imperador) e conseguiu mesclar vários elementos políticos e estratégias militares que deram ao seu governo um potencial expansivo que mudou radicalmente a história da Europa. Para que Napoleão conseguisse todo o seu conjunto de conquistas em relativamente pouco tempo, ele teve de preparar uma máquina de guerra que lhe desse o devido suporte. Foi nesse contexto em que foi organizado “O Grande Exército Francês” (“Grande Armée”, em francês).

Durante praticamente uma década o exército napoleônico foi considerado invencível. A ideia de um “Grande Exército”, cujo contingente fosse integrado menos por mercenários, soldados velhos e aristocráticos e mais pelo próprio povo, pelos cidadãos do Estado, já existia em gérmen nas ondas de revoluções que ocorreram na Inglaterra, no século XVII. Porém, somente com o advento da Revolução Francesa, isso se tornou realmente patente.

Na primeira década da revolução, as divisões do exército francês comandadas por Napoleão conseguiram êxitos tremendos. Isso se devia tanto ao fato de seu comandante ser um jovem general (Napoleão estava na casa dos vinte anos à época) quanto ao fato de seus soldados lutarem mobilizados pelo ideal da “Nação Francesa”, lutando, assim, como cidadãos da França, e não como súditos do rei. Foi esse pertencimento a uma máquina de guerra feita de cidadãos que, inclusive, escandalizou um dos maiores teóricos da guerra de todos os tempos, o austríaco Carl von Clausewitz.

Quando assumiu o poder central da França, na época do Consulado, Napoleão já era um general respeitável. Mas, a partir de 1804, quando se sagrou imperador e começou a empreender as Guerras Napoleônicas, Napoleão tornou-se um modelo e um ídolo para outras nações, um esteriótipo de “libertador”, isto é, libertador do jugo do absolutismo monárquico. Entretanto, esse esteriótipo foi construído com base nas vultosas vitórias sobre as monarquias absolutistas, como os exércitos da Prússia. Para compreendermos melhor a força da máquina de guerra napoleônica, faz-se necessário saber de duas modificações que o exército da França recebeu na década de 1790.

Segundo o historiador Marco Mondaini, a primeira modificação decisiva foi:

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Em primeiro lugar, através da “lei do amálgama”, de 21 de fevereiro de 1793, é instituída a fusão entre o velho batalhão de tropas regulares (orgulhosos de seu entusiasmo pela Revolução) e o novo batalhão de voluntários (orgulhosos do seu entusiasmo pela Revolução). Com essa medida, o exército francês mesclava capacidade técnica e disposição ideológica.[1]

Depois dessa fusão dos quadros do exército, misturando velhos e experientes combatentes com jovens imbuídos de ideologia e vivacidade, a segunda medida consistia em tornar obrigatório o serviço militar:

Em segundo lugar, depois de iniciativas nem sempre bem-sucedidas por meio da “lei Jourdan”, de 5 de setembro de 1798, é declarado permanentemente obrigatório o serviço militar dos jovens entre os 18 e 24 anos. Com essa imposição legal, o exército francês tornava-se um exército de massa, um exército baseado cada vez mais no recrutamento forçado devido ao declínio dos alistamentos espontâneos, mas que mantinha cuidadosamente o discurso do voluntariado.” [2]

Em 1810, no auge do Império Napoleônico, o grande exército francês contava com cerca de 610 mil combatentes e 1.420 canhões, bem como ocupava boa parte do continente europeu, indo da Península Ibérica à Polônia. Os principais generais de Napoleão eram, como ele, jovens, e o grosso de seus soldados era constituído por soldados-cidadãos, plenamente politizados.

Como principal técnica de combate estava a velocidade dos deslocamentos. Essa técnica implicava a estratégia do combate em mais de uma frente de batalha, cujo princípio orientador consistia em: atacar sempre! O exército de Napoleão conseguia estar em várias regiões do continente europeu e conseguir, em poucas semanas, fechar o cerco sobre mais de um inimigo.

No campo de batalha, a disposição do exército francês acontecia da seguinte forma: formava-se um linha de artilharia pesada, com canhões, bem próxima do inimigo. Atrás dessa linha, estava a cavalaria, pronta para atacar por trás e pelos lados da formação inimiga. Logo após o ataque da cavalaria, vinha o ataque da infantaria, que completava a estratégia.

NOTAS

[1] Mondaini, Marco. “Guerras Napoleônicas”. In: Magnoli, Demétrio. (org.) História das Guerras. São Paulo: Contexto, 2013. p. 202.

[2] Idem. p. 202.


Por Me. Cláudio Fernandes

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