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Batalha de Hidaspes

Idade Antiga

A Batalha de Hidaspes foi uma das últimas batalhas travadas pelo imperador macedônio Alexandre, o Grande, e levou esse nome por ter acontecido às margens do rio indiano homônimo.
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Alexandre, o Grande (356 a.C. – 323 a.C.), filho de Filipe da Macedônia – responsável por unificar toda a Hélade (a Grécia Antiga) –, conseguiu transformar o reino de seu pai em um imenso império, que se estendeu da Península Balcânica à Índia, passando pela Ásia Menor, Oriente Médio e Egito. Seus feitos tornaram-se notáveis por terem sido levados a cabo em relativamente pouco tempo, haja vista que Alexandre reinou durante apenas 13 anos. A subjugação do Império Persa, com a derrota de Dario III, histórico inimigo dos gregos, foi o ponto alto da vida de Alexandre – sendo a Batalha de Isso a mais enaltecida. Entretanto, após conquistar os persas, Alexandre envolveu-se em uma campanha militar ainda mais perigosa no ano de 326 a.C.: a Batalha de Hidaspes, travada contra o rajá hindu Poro. Esse evento também ficou conhecido como Batalha dos Elefantes.

A Batalha de Isso, citada acima, foi travada em 333 a.C. Com ela, Alexandre conseguir dominar toda a Ásia Menor e o Oriente Médio, chegando até a região do atual Paquistão. Porém, ainda faltava completar sua jornada de conquistas para além da fronteira natural imposta pelo rio Hidaspes, um afluente do rio Indo. Ao saber dos planos de Alexandre, o então rajá (chefe militar e político) Poro preparou seus exércitos e estacionou-os próximo do rio Hidaspes para bloquear a passagem das tropas macedônicas.

Os hindus possuíam, assim como Alexandre, uma densa cavalaria armada, além de infantaria experiente. Contudo, o diferencial era o uso de elefantes como arma de guerra no front de batalha. Em um primeiro momento, Poro subestimou os macedônios em número e em qualidade técnica de batalha, o que provocou a morte de parte considerável de seus soldados, incluindo seu filho. Ao perceber que o exército de Alexandre era bem maior do que pensava e que, dada a genialidade militar do imperador macedônico, esse mesmo exército estava penetrando as defesas hindus por meio de uma parte do rio que não estava muito bem vigiada, Poro decidiu concentrar todas as suas forças contra as falanges (colunas de soldados) que estavam naquele ponto frágil.

Alexandre então mudou a estratégia e, em vez de coordenar o ataque direto pelo meio, usou a técnica do ataque pelos flancos (laterais) para a evitar o confronto direto com os elefantes, como conta o historiador romano Plutarco, em sua obra Vidas Paralelas:

Alexandre temendo, porém, a grande multidão dos inimigos e a violência dos elefantes, não ofereceu combate no meio, mas comandando a ala esquerda de sua linha de batalha, atacou um lado dos inimigos, ordenando aos que estavam à sua direita que fizessem o mesmo por seu lado ao mesmo tempo: assim foram derrotadas as duas extremidades do exército dos inimigos, e postas em fuga, mas os que tinham sido atacados, retiraram-se para junto dos elefantes e se reuniram em torno deles. Travada a batalha, foi longa a luta, de tal modo que os bárbaros só foram derrotados completamente, às três horas depois de meio-dia. Assim o descreve em suas cartas aquele mesmo que obteve a vitória”. (Plutarco, Vidas Paralelas – Alexandre e Júlio César, CIII.)

Em pouco tempo, Alexandre conseguiu subjugar o poderoso exército de Poro. Impressionado com a valentia e violência dos hindus e, sobretudo, com o porte físico de Poro, que tinha mais de dois metros de altura, Alexandre lhe perguntou, como sempre fazia, como deveria, a partir de então, tratá-lo. Conta-nos, Plutarco:

Tendo Poro sido aprisionado, Alexandre perguntou-lhe como o haveria de tratar. Poro responde que o tratasse de maneira real. Alexandre então insistiu, se ele queria dizer alguma coisa e ele retorquiu que tudo estava compendiado naquela palavra, real. Por isso, Alexandre não somente deixou-lhe as províncias de que antes já ele era rei, para dali por diante governá-las como sátrapa, mas também acrescentou-lhe ainda muitos outros territórios.” (Plutarco, Vidas Paralelas – Alexandre e Júlio César, CIV).

 

Por Me. Cláudio Fernandes

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