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Lançamento da bomba nuclear sobre Hiroshima

Século XX

Em 6 de agosto de 1945, ocorreu o lançamento da primeira bomba nuclear sobre um alvo civil. Utilizada na fase final do conflito contra o Japão, resultou em grande destruição.
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No dia 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos fizeram uso da arma de guerra mais poderosa da História da humanidade até então: bombas nucleares. A bomba lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima causou grande destruição e foi utilizada no estágio final do conflito com o objetivo de forçar uma rendição japonesa. O lançamento da bomba nuclear sobre Hiroshima é considerado hoje um crime de guerra cometido pelos Estados Unidos.

Contexto

A utilização da bomba nuclear em Hiroshima está dentro do contexto do confronto entre Japão e Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Os conflitos entre as duas nações iniciaram-se após o ataque japonês contra a base naval americana de Pearl Harbor no Havaí, em 7 de dezembro de 1941.

O Japão foi motivado a atacar os Estados Unidos pelas vitórias que o exército alemão havia conquistado na Europa até então. O intuito do Japão ao atacar os Estados Unidos era derrotar a nação para expulsá-la definitivamente da Ásia, o que permitiria que o Japão exercesse o controle sobre o continente. Entretanto, a decisão japonesa foi um grande erro, pois subestimava a capacidade econômica e de mobilização para a guerra dos Estados Unidos.

Os combates entre as duas nações logo começaram a mostrar a superioridade americana, uma vez que vitórias importantes foram acontecendo ao longo do conflito, como nas batalhas de Midway, Guadalcanal, Tarawa etc. Isso não quer dizer, claro, que a vitória americana foi conquistada de maneira fácil, pois os relatos retratam a obstinação japonesa de lutar até a morte contra os americanos.

Em agosto de 1945, o conflito já havia acabado na Europa e arrastava-se na Ásia, pois o Japão não aceitava a rendição. Apesar da recusa em se render, o Japão estava destruído pela guerra.

Derrota iminente

Réplica do “little boy”, a bomba de urânio lançada sobre a cidade de Hiroshima
Réplica do “little boy”, a bomba de urânio lançada sobre a cidade de Hiroshima

Em 1945, o Japão era um país em colapso, pois já havia perdido quase todos os territórios ocupados durante a guerra e a economia japonesa não suportava mais financiar o conflito. Internamente, o sofrimento da população com a destruição era ampliado pela falta de alimentos. Além disso, a nação sofria com os bombardeios dos aviões americanos.

Em meados de 1945, os Estados Unidos já elaboravam os planos para uma possível invasão territorial do Japão, entretanto, a recusa japonesa aos termos de rendição propostos na Declaração de Potsdam fez os Estados Unidos optarem pela utilização das bombas nucleares produzidas durante o Projeto Manhattan.

O Projeto Manhattan foi o programa nuclear em que os Estados Unidos reuniram uma série de cientistas para produzir armamentos nucleares durante a Segunda Guerra Mundial. Inicialmente as bombas foram projetadas para serem utilizadas na Alemanha, mas a derrota do Nazismo fez com que as bombas fossem usadas contra o Japão.

Bomba sobre Hiroshima

Visão aérea da cidade de Hiroshima dias após o lançamento da bomba atômica sobre a cidade
Visão aérea da cidade de Hiroshima dias após o lançamento da bomba atômica sobre a cidade

A bomba de Hiroshima foi lançada no dia 6 de agosto de 1945, às 8:15 da manhã. A bomba, nomeada de Little Boy (pequeno garoto), foi lançada pelo avião Enola Gay. A fissão da bomba de urânio gerou uma destruição que resultou na morte de mais ou menos 80 mil pessoas instantaneamente.

O poder de destruição da bomba foi tão grande que pessoas desprotegidas próximas do local de lançamento foram instantaneamente vaporizadas e outras que estavam próximas a alguma parede tiveram sua sombra imprensa nessa parede, conforme o relato de Charles Pellegrino:

Na parte sul da cidade, a quase quatro quadras depois da senhora Aoyama e dos monges, Toshihiko Matsuda estava para deixar sua sombra no muro do jardim de sua mãe. Ele parecia ter se abaixado para apanhar um pedaço de fruta ou arrancar uma erva daninha. Nos milissegundos seguintes, o muro atrás de Toshihiko estaria impresso pelo clarão não somente com a sua sombra, mas também com as imagens fantasmas das plantas que o cercavam […]. Na impressão feita na parede, quando a bomba explodiu, podia se ver a sombra de uma folha recém-caída da videira e que, embora estivesse em queda, nunca chegaria ao chão|1|.

O calor gerado pela bomba gerou incêndios e obrigou muitas pessoas a se abrigarem no rio que corta a cidade. Pouco tempo depois, uma forte chuva caiu. Os relatos contam que a chuva era negra. Charles Pellegrino explica o motivo da forte chuva após o lançamento da bomba:

A bomba tinha vaporizado a água do rio e dos lagos em toda a extensão de Hiroshima. Num raio de dois quilômetros, as folhas perderam uma porção substancial da umidade, como também a perderam pássaros e grilos, e cada folha de grama, cada soldado e criança que estiveram ao ar livre. Todos os vapores acumulados da cidade foram içados para as camadas inferiores da estratosfera; quando esfriaram, condensaram e começaram a cair|2|.

Os relatos contam o horror instalado na cidade com sobreviventes deformados de todos os jeitos possíveis. As pessoas possuíam ferimentos e queimaduras gravíssimas espalhadas pelo corpo. Além disso, os sobreviventes absorveram quantidades de radiação que se mostraram mortais. Pessoas que conseguiram escapar ilesas da explosão nuclear morreram subitamente dias depois. Outras tiveram que conviver com doenças causadas pela radiação pelo resto da vida.

Apesar da destruição causada em Hiroshima, o governo japonês recusou-se a assinar a rendição e optou por continuar na guerra. Em consequência disso, os Estados Unidos utilizaram dias depois a sua segunda bomba nuclear, que foi lançada na cidade de Nagasaki.

|1| PELLEGRINO, Charles R. O último trem de Hiroshima: os sobreviventes olham para trás. São Paulo: Leya, 2010, p.4.
|2| Idem, p.33.


Por Daniel Neves
Graduado em História

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