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Führermuseum: o museu de artes de Hitler

Século XX

Você sabia que Hitler planejava ter o maior museu de artes do mundo? Esse projeto foi alimentado pelos nazistas com roubos e compras forçadas.
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De onde veio o gosto pela arte de Hitler?

Antes de se tornar um dos mais famosos e polêmicos chefes de Estado do século XX, Adolf Hitler tinha pretensões muito distantes dos encontros políticos e discursos acalorados. Em 1907, com apenas 18 anos de idade, Hitler saiu do povoado de Branau para tentar sua vida como artista plástico na cidade de Viena. Portando uma série de desenhos, ele fez a sua primeira inscrição no concurso de admissão da Escola de Belas-Artes da Schillerplatz.

Contrariando as suas expectativas, o jovem aspirante à artista teve o seu ingresso recusado ao ser tachado como um desenhista de pouca criatividade e muita inexperiência. Para aqueles que gostam de uma conspiração, essa seria mais umas das frustrações que levaram Adolf Hitler a se ingressar na carreira militar e, anos mais tarde, transformar-se no mais expressivo líder do nazismo. Apesar de esse ser o real desencadeamento de sua vida, isso não quis dizer que o führer abandonou seu gosto pela arte.
 

Führermuseum: o projeto de criação do maior museu do mundo

No ano de 1939, Hitler organizou uma comissão especialmente desenvolvida para a criação daquele que seria o maior museu de todo o mundo. O “Führermuseum” (Museu do Führer) seria construído em Linz, cidade austríaca que se encontrava bem próxima do lugar onde Hitler havia nascido. Mais do que uma simples declaração de amor às artes, o desenvolvimento desse projeto revelava bem alguns dos ideais e ações que tomaram a Alemanha Nazista.

Em um primeiro plano, uma construção de tamanhas dimensões tinha o claro interesse de reforçar o ideal de superioridade que guiava o discurso totalitário nazista. Já que os alemães eram ancestrais de um dos povos que deram suporte à civilização europeia, seria natural que a Alemanha fosse detentora de grandes símbolos e manifestações da cultura do Novo Mundo. Sob tal aspecto, chegamos ao ponto onde questionamos de que forma os nazistas conseguiriam as obras que comporiam o museu.

O levantamento de fundos para a manutenção do projeto era viabilizado pela arrecadação feita com as vendas do livro “Mein Kampf” – obra em que Hitler lança as bases do pensamento nazista – e de selos com a imagem do ditador alemão. Tendo dinheiro disponível, a equipe tinha então a difícil tarefa de realizar as aquisições e a seleção das obras que constituiriam o espaço histórico-cultural.
 

Saques e compras forçadas de obras de arte pelos nazistas

De acordo com alguns pesquisadores, o projeto do Führermuseum foi alimentado por uma série de saques e compras forçadas. No primeiro caso, a situação de guerra e o próprio antissemitismo abriam portas para que diversos oficiais roubassem quadros e outras raridades artísticas dispostas em coleções pessoais. Já no outro caso, a intimidação empreendida pelo próprio regime nazista coagia muitos particulares a venderem suas preciosidades por valores irrisórios.

Ao final da Segunda Guerra, o avanço das tropas aliadas foi descobrindo os vários depósitos em que as obras escolhidas foram guardadas. Por sorte, uma quantidade significativa destas foi devidamente recuperada. Além de fazer justiça pela recuperação, o encontro e manutenção de cada uma das obras se transformaram em uma espécie de troféu das forças militares que lutaram contra o nazismo. E, dessa forma, a arte irrompeu seus limites estéticos para assumir uma curiosa dimensão política.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola
 

Reprodução do bunker de Hitler do Museu Madame Tussaud, em Berlim.
Século XX O bunker de Hitler
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