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Formas de comunicação durante a Segunda Guerra

Século XX

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Em qualquer momento da história, uma guerra de grandes proporções é sempre um acontecimento que proporciona transformações profundas na sociedade, na economia e na cultura das nações. Essas transformações também se verificam no âmbito tecnológico. As armas, os veículos, os uniformes, a alimentação dos soldados e muitas outras coisas passam por profundas transformações em um período de guerra. As formas de comunicação usadas na guerra não deixam de entrar nesse rol. A Segunda Guerra Mundial caracterizou-se pelo uso estratégico de alguns meios de comunicação tanto por militares quanto por civis. Os rádios transmissores e os radares dos sistemas de navegação, tanto marítimos quanto aéreos, tornaram-se notáveis utensílios estratégicos nos anos 1940.

Duas personagens destacaram-se nesse contexto. Houve o caso do general alemão Heinz Guderian que teve a experiência de usar o rádio no fronte de batalha durante a Primeira Guerra Mundial e que se valeu dessa experiência para instalar redes radiofônicas nas divisões de tanques alemãs, conhecidas como Panzer, durante a Segunda Guerra. Esse simples ato de incremento tecnológico comunicativo possibilitou à Alemanha nazista obter sucessivas vitórias sobre seus adversários nos anos de 1939, 1940 e 1941. O outro exemplo é o do vice-marechal do ar Hugh Dowding, da RAF (Royal Air Force), Força Aérea Britânica, que, em 1917 – também em meio à Primeira Guerra –, foi o primeiro oficial a usar um rádio transmissor para comunicar-se do ar (em voo) com a terra (sua base). No ano de 1940, já com o título de marechal, Dowding incrementou sistemas de alta frequência em 16 esquadrilhas da RAF.

Além disso, outras nações, como os Estados Unidos da América, também trataram de investir em tecnologia de comunicação como suporte para a guerra. Como bem acentuou o historiador Norman Davies, em sua obra “A Europa em Guerra”, a partir de 1943, “a tecnologia americana progrediu a diversos níveis. O walkie-talkie (ou handie-talkie) criou novas possibilidades para a comunicação em combate. O transmissor Gibson Girl revolucionou os salvamentos ar-mar e os sistemas portáteis bidirecionais VHF SCR-522, utilizados na comunicação ar-terra, abriram novas possibilidades à artilharia terrestre”. (DAVIS, Norman. A Europa em Guerra. Edições 70: Lisboa, 2008. pp.284-285).

Muitas estratégias de combate também foram traçadas a partir do auxílio da tecnologia de comunicação. Um exemplo importante também foi dado pelo historiador Norman Davies. Davies relatou a técnica de “contramedia”, isto é, um tipo de estabelecimento de confusão comunicativa desenvolvido com o objetivo de desorientar o inimigo. A RAF britânica confundiu os radares alemães usando uma técnica dessas, que era intitulada “Window”.

Segundo Davies, “[…] Em 1943, na cidade de Hamburgo, foi introduzida a técnica “Window”, da RAF, que consistia em lançar nuvens de papel de alumínio para confundir o radar alemão; a perda de apenas 12 dos 746 bombardeiros, isto é, 1.6%, foi historicamente reduzida. Um ano mais tarde, as contramedidas dos Aliados reduziram consideravelmente a capacidade dos Alemães de detectar a aproximação da frota invasora da Operação Overland. As estações de radar alemãs na França foram previamente sujeitas a bombardeamentos maciços e, na noite da invasão, uma enorme vaga de aviões equipados com dispositivos que causavam interferência impediram as estações ainda operacionais de chamar caças das bases do interior.” (DAVIS, Norman. A Europa em Guerra. Edições 70: Lisboa, 2008 p. 285).

Passada a Segunda Guerra, o uso desse tipo de tecnologia foi canalizado para a população civil. Grande parte do avanço de telecomunicações e transmissão de informações que usufruímos hoje advém de tecnologias desenvolvidas durante guerras.

*Créditos da imagem: Shutterstock e Sergey Kamshylin


Por Me. Cláudio Fernandes

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