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Batalha de Somme

Século XX

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Sabemos que a Primeira Guerra Mundial foi um dos acontecimentos de maior impacto da história da humanidade, sobretudo porque seu potencial destrutivo foi muito superior ao de qualquer outra guerra que a tenha precedido. Muitos intelectuais que a vivenciaram, como o escritor francês León Bloy, caracterizaram-na como “apocalíptica”. Pois bem, esse tom apocalíptico da Primeira Guerra Mundial pode ser observado tanto no seu desenvolvimento como um todo quanto no nível de cada batalha travada. Nas linhas abaixo exporemos alguns dos aspectos de uma das batalhas mais sangrentas desse período, a Batalha de Somme.

A Batalha de Somme recebeu esse nome por ter sido travada nas imediações do rio Somme, na França. O objetivo principal era romper as instalações do exército alemão em território francês. Contra a Alemanha estavam as forças aliadas do Reino Unido e da França. Sabe-se que, apesar de ter perdido a guerra, a Alemanha tinha o exército mais moderno e eficiente da época, tendo conseguido vitórias massacrantes durante os dois primeiros anos do primeiro conflito mundial, 1914 e 1915.

Desde fevereiro de 1916, com a Batalha de Verdun (que se estendeu até novembro do mesmo ano), a guerra passou a assumir uma dimensão ainda mais colossal do que já tinha. O confronto em Somme foi paralelo ao de Verdun, porém, iniciou-se mais tarde, em 01 de junho de 1916. As decisões táticas foram tomadas pelo general Joseph Joffre, da França, e pelo general Douglas Haig, da Inglaterra. O plano final para o ataque em Somme foi concebido no dia 14 de fevereiro de 1916, em Chantilly (França). A Alemanha aguardava um ataque dos aliados nas regiões de Artois e na Alsácia, mas, mesmo surpreendida, conseguiu estabelecer um sistema de contenção eficiente em Somme liderado pelo general Erich von Falkenhayn.

A batalha teve início com ataque maciço das artilharias. Porém, o que a tornou realmente sangrenta foram os ataques de metralhadoras, como a Maxim usada pelos alemães, contra a infantaria que saía das trincheiras e marchava contra o inimigo. Só no primeiro dia de batalha, 1º de julho, após 12 horas de combate, 19.240 soldados britânicos estavam mortos e cerca de 30.000 feridos. Os britânicos ainda tentaram usar um dos primeiros tanques de guerra contra os alemães, mas em virtude de falhas mecânicas, a máquina teve que ser abandonada.

A batalha só teve fim em novembro de 1916, com vitória aliada, porém com um saldo de mortos extremamente impressionante. Só entre os militares, as baixas foram de 207 mil mortes entre os combatentes britânicos, 67 mil mortos entre os franceses, e 170 mil mortos entre os alemães. O historiador William Philipott, em sua obra “Bloody Victory: the sacrifice on the Somme” (“Vitória sangrenta: o sacrifício de Somme”), chegou a afirmar que, diante de uma carnificina como essa, não poderia haver vitoriosos. A Batalha em Somme, assim como a de Verdun e outras do ano de 1916, contribuiu também para a atividade de historiadores contemporâneos, que almejam rastrear as raízes da perspectiva de integração dos povos europeus após a Guerra Fria, tendo em conta a catástrofe começada no início do século XX, tal como assinala a pesquisadora Sílvia Correia:

“[...] a história da deserção que aconteceu em muitos exércitos para além de modelos nacionais, sendo as razões que estiveram na sua origem transversais. Enfim, o potencial encarnado na abordagem transnacional é evidente numa instituição claramente comprometida em escapar dos confins de uma história nacional da guerra: Historial de la Grande Guerre – Péronne (França) – um museu e centro de pesquisa da Grande Guerra, resultante da colaboração em três línguas, colocado no centro do comando do exército alemão durante a batalha do Somme, onde Ernst Jünger considerou ser o local onde nasceu o século XX. Juntos, os historiadores criaram um museu transnacional para entender a integração da Europa nos anos 1990, tinha-se que entender a sua desintegração no início do século.” [1]

NOTAS:

[1] CORREIA, Sílvia Adriana Barbosa. Cem anos de historiografia da Primeira Guerra Mundial: entre história transnacional e política nacional. In: Topoi (Rio de Janeiro), v. 15, n. 29, p. 650-673, jul./ dez. 2014. p. 668.


Por Me. Cláudio Fernandes

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