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As feridas da Segunda Guerra na Alemanha

Século XX

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Durante muito tempo, os historiadores e livros didáticos minimizaram a observação dos efeitos que a Segunda Guerra Mundial teve sobre a população alemã. Muito desse silêncio tem relação direta com a tendência geral em se culpar a Alemanha pelas grandes mazelas do conflito e, assim, minimizar os problemas que o próprio país vivenciou. No entanto, novos estudos nos permitem ter uma visão mais apurada do que a Segunda Guerra trouxe aos alemães.

Estimativas recentes dizem que mais de dois milhões de alemães foram assassinados ao longo desse conflito. Além disso, discussões atualizadas procuram revisar esses valores tentando pesquisar mais profundamente o impacto do avanço das tropas russas contra aquele país. Ainda negando esse mesmo processo de minimização dos impactos, alguns especialistas no assunto apontam claramente que a grande quantidade de bombardeios deferidos contra o território alemão foram um completo absurdo.

Uma parcela significativa dos relatos que contam as dimensões do horror sofrido pelos alemães se concentra entre os anos de 1943 e 1945. Milhares de prédios foram completamente destruídos, civis agonizantes eram executados mediante a inevitabilidade de suas mortes e campos improvisados eram organizados para o enterro de milhares de cadáveres. Em termos gerais, podemos destacar Berlim, Dresden e Hamburgo como as cidades que foram atingidas com maior violência pelos aliados.

Fontes históricas dessa época – principalmente produzidas por pessoas não comprometidas com o nazismo – insistem em descrever alguns desses ataques como “terroristas” ou que aconteciam para apenas “dizimar a população”. Paralelamente, vários historiadores revisionistas buscam reconsiderar o número de vítimas que atingiram certas cidades alemãs. Indubitavelmente, o silêncio reservado à Alemanha fustigada pela guerra se transformou em um grande e acalorado debate.

Por um lado, vemos que o horror dessa situação serve para que não limitemos a compreensão da guerra como uma simples dicotomia, onde os aliados eram tidos como grandes heróis e toda a Alemanha representasse a maldade daquele tempo. Por outro lado, também devemos avaliar que as dimensões trágicas do ataque contra a Alemanha atestaram a loucura de Adolf Hitler em prolongar desnecessariamente a manutenção de seu combalido governo na guerra.

Ainda hoje, a recuperação de vários relatos pessoais e diários da época visa dimensionar um lado desse conflito que foi injustamente encoberto ao longo do tempo. Se a história deve ser construída por meio de uma busca pela imparcialidade, não devemos minimizar os estudos que problematizaram o sofrimento alemão na guerra. Como há muito tempo já se sabe, nenhum conflito militar pode ser bem observado considerando a existência única de “mocinhos” e “bandidos”.


Por Rainer Sousa
Graduado em História

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Século XX Guerra Fria
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