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Quilombo dos Palmares: Guerra contra a escravidão

Séculos XVI ao XIX

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As lutas de africanos contra os colonizadores portugueses no Brasil ocorreram em vários momentos da história colonial do país. Porém, nenhum conflito conseguiu se notabilizar mais que a destruição do Quilombo dos Palmares. Formado no início do século XVII, o Quilombo dos Palmares foi destruído sob o comando dos portugueses em 1695, transformando-se em símbolo da resistência africana contra a escravidão no Brasil.

O Quilombo dos Palmares era composto por diversas aglomerações de escravos fugidos, indígenas, desertores de forças militares e de homens livres. Descaram-se a comunidade de Macaco, a capital, Subupira, Dambraganga, Tabocas e Osenga. Entre seus líderes destacaram-se os reis Ganga Zumba e Zumbi.

O Quilombo dos Palmares localizava-se à época na Capitania de Pernambuco, na Serra da Barriga, onde hoje está o estado de Alagoas. Em virtude dessa localização e dos conflitos coloniais do período, os quilombolas de Palmares lutaram por quase um século contra duas das maiores potências marítimas e militares daquela época: Holanda e Portugal.

As atividades econômicas desenvolvidas em Palmares, como a agricultura, os saques e o comércio regional contribuíram enormemente para a garantia da resistência dos quilombolas por tanto tempo. A tática de guerrilhas, baseada em um conhecimento da região superior aos detidos pelos inimigos, foi também outro aspecto importante na resistência.

Mas a tática de guerrilhas não era infalível. Com o passar do tempo e das tentativas de destruição do quilombo, portugueses e holandeses passaram a conhecer também melhor a localidade, diminuindo a vantagem detida pelos palmarinos. A utilização de tribos indígenas contra os habitantes de Palmares auxiliou também em sua destruição. Dois momentos foram importantes para o fim do maior quilombo que existiu em solo brasileiro.

Em 1677, o capitão Fernão Carrilho realizou a primeira ofensiva contra Palmares, depois de haver obtido sucesso com a destruição de dois quilombos em Sergipe. A Ação de Carrilho ocorreu em dois momentos. O primeiro foi o ataque ao mocambo de Alqualtune, que resultou na fuga dos habitantes para outro mocambo, o de Subupira. Após a fuga, os quilombolas colocaram em prática a tática de guerrilha, o que lhes garantiu o recuo das forças de Carrilho.

Após algum tempo e o apoio de mais de 180 homens, entre indígenas e portugueses, Carrilho realizou outra investida, agora contra o mocambo do Amaro. Nesse mocambo havia mais de mil casas, e Carrilho prendeu inúmeros africanos, que foram distribuídos entre seus homens, dentre eles dois filhos do rei Ganga Zumba.

A perda de várias pessoas, o enfraquecimento da resistência e a prisão de seus filhos foram uma forte derrota e possivelmente levou Ganga Zumba a negociar uma trégua. Em 1678, uma expedição de palmarinos deslocou-se para a capital de Pernambuco, onde foram recebidos pelo governador da capitania, Aires de Souza e Castro. A trégua ocorreria com a concessão das terras de Palmares e a liberdade de comércio, em troca do compromisso dos quilombolas de não receberem mais escravos fugidos.

A proposta não agradava os latifundiários da região e muito menos parte dos quilombolas. Frente a isso, uma nova liderança surgiu entre os habitantes de Palmares: Zumbi. Este não aceitava a condição de não receberem novos escravos, o que levou o governador de Pernambuco a indicar Gonçalo Moreira para destruir Palmares. A ofensiva de Moreira resultou no envenenamento de Ganga Zumba. Zumbi tornou-se rei do Quilombo, refugiou-se com os demais na floresta, garantindo a resistência quilombola por mais algum tempo.

Para destruir definitivamente Palmares, os portugueses contrataram o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, que chegou à região em 1692. Foi necessário mais de dois anos, milhares de homens e muitas peças de artilharia para que as tropas do bandeirante vencessem a resistência no Quilombo dos Palmares. A construção de imensas cercas em torno do principal mocambo, o dos Macacos, dificultava a investida das tropas de Velho. Em inícios de 1694, Palmares foi destruído, mas Zumbi ainda conseguiu fugir. Ficou nas matas até ser capturado e morto em 20 de novembro de 1695.

Zumbi foi degolado e sua cabeça exposta em Recife. Tinha fim o maior quilombo construído no Brasil. Outros ainda seriam construídos, mas menores. O que não significou a diminuição da resistência à escravidão. Em razão dessa força simbólica da resistência em Palmares, o dia 20 de novembro é considerado o Dia da Consciência Negra no Brasil.


Por Tales Pinto
Mestre em História

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