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Invenção da Pólvora

Idade Média

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Sabemos que, durante milênios, desde que a humanidade passou a se organizar de forma mais complexa em tribos, pequenas comunidades e, principalmente, nas primeiras cidades, os conflitos sempre estiveram presentes. Tais conflitos passaram a tomar proporções maiores ao longo do tempo, dando origem às primeiras sociedades guerreiras, como a dos assírios, que viveram na região da Mesopotâmia e que são considerados os “pais” do primeiro exército organizado da história. Contudo, até o século XII (século em que a pólvora começou a ser usada para disparar artefatos sólidos), utilizavam-se principalmente armas brancas, catapultas, fogo e, raramente, algum tipo de explosivo à base de enxofre. O surgimento da pólvora, entre os chineses, na Idade Média, mudou a história das guerras.

Houve um processo de muitos séculos de experiências em alquimia e utilização prática de determinados compostos químicos para que os chineses pudessem chegar ao produto final chamado pólvora. Tudo começou na Dinastia Han, cerca de 200 anos antes de Cristo, quando alquimistas ligados ao taoísmo procuravam o “elixir da imortalidade” a partir de experiências com substâncias como o enxofre e o salitre (nitrato de potássio). Um desses alquimistas chegou a elaborar um tratado intitulado “O livro da Ligação dos Três”, que alertava os praticantes da arte alquímica sobre a mistura explosiva desses elementos.

Durante a Idade Média, na Dinastia Tang, no século IX, que outros alquimistas, adicionando porções precisas de carvão ao salitre e ao enxofre, conseguiram chegar até a pólvora, chamada por eles de huo yau”. A “hou yau”, por ser mais controlável que os explosivos conhecidos até então, passou a ser usada, inicialmente, em fogos de artifício, sinalizadores, rituais religiosos e festas. Pouco tempos depois, o mesmo artefato passou a integrar a composição de granadas simples e de materiais para catapultas. A pólvora passou então a ser um componente militar tão importante quanto as variadas armas brancas usadas pelos chineses. A sua fórmula passou a integrar, inclusive, a lista do Wujing Zongyao, um manuscrito, escrito em 1040, sobre armas usadas em guerra.

Entre os séculos X e XIII, na Dinastia Song, o uso da pólvora tornou-se mais sofisticado e passou a compor engenhocas que disparavam artefatos sólidos, como pequenas pedras em formato esférico, foguetes e canhões. As engenhocas eram feitas de tronco de bambu, no qual se pilava a pólvora, colocava-se a pedra dentro de um orifício, ateava-se fogo a um pavio externo e esperava-se a explosão. A pedra poderia atingir alvos e perfurá-los a uma distância de 50 metros. Muitos dos canhões e foguetes disparados por pólvora traziam em seu conteúdo misturas químicas venenosas, como arsênico e mercúrio. Era o início de uma revolução militar.

A chegada da pólvora na Europa, na transição da Idade Média para a Idade Moderna, na época dos mercadores, ocasionou o desenvolvimento dos primeiros rifles e canhões mais sofisticados.


Por Me. Cláudio Fernandes

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