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Cerco de Constantinopla de 1204

Idade Média

O Cerco de Constantinopla de 1204, empreendido por cruzados ocidentais, foi uma das ações militares mais importantes da Baixa Idade Média.
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  • O contexto da Quarta Cruzada

O Cerco de Constantinopla, também conhecido como “Saque de Constantinopla”, ocorreu em abril de 1204 como um desdobramento não previsto da Quarta Cruzada, iniciada em 1202. Essa cruzada foi convocada pelo papa Inocêncio III, em 1198, com o objetivo de retomar o domínio sobre Jerusalém. Entretanto, a convocação foi destinada aos nobres da Europa, e não aos reis, como houvera sido na terceira. Demorou cerca de quatro anos para que os cruzados, constituídos basicamente por francos, estivessem definitivamente preparados sob o comando do marquês Bonifácio de Montferrat (ou Monferrato). Em 1202, a Cruzada partiu.

  • Acordo com Veneza e o ataque a Zara

Entretanto, para chegar até o seu destino, os cruzados precisavam de mantimentos e condições de transporte para atravessar o Mediterrâneo e atingir o Oriente Médio. Entre os mais habilitados para fornecer esse tipo de auxílio, estavam os venezianos. Veneza, assim como Gênova, era uma das mais poderosas cidades comerciais portuárias da Idade Média. No entanto, os cruzados não tinham como pagar em moedas os serviços dos venezianos, então firmaram um acordo de auxílio mútuo.

Esse acordo previa o seguinte: aos cruzados os venezianos ofereceriam embarcações e mantimentos e, em troca, receberiam ajuda militar para atacar uma cidade inimiga, Zara, que estava sob o domínio do rei da Hungria. O acordo foi firmado e Zara foi atacada ainda em 1202. O problema é que esse gesto provocou enorme desagrado em Inocêncio III, que excomungou os líderes nobres envolvidos.

  • Acordo com o Príncipe Aleixo e o primeiro ataque a Constantinopla

Os líderes da Cruzada precisavam de outro plano para que fosse desmanchada a indisposição com o Papado. Esse plano veio a lume quando o príncipe Aleixo IV Ângelo, filho de Isaac II Ângelo, imperador bizantino, encontrou os cruzados e lhes fez uma proposta. Isaac II tinha sido alijado de seu posto por usurpadores e o filho programava um ataque a esses usurpadores para reaver o trono ao pai. Aleixo prometeu aos cruzados liquidar a dívida com os venezianos e ainda promover a reunificação das Igrejas, oriental (ortodoxa) e ocidental (católica), separadas desde o Cisma de 1054, se os guerreiros lutassem contra os usurpadores. As duas, mas sobretudo a última proposta, agradou a Bonifácio de Montferrat (que também era amigo de Felipe da Suábia, genro do imperador destronado), já que o fim do cisma poderia reconciliar os cruzados com o Papado.

Os venezianos, evidentemente, também aprovaram o acordo, e as tropas seguiram rumo a Constantinopla.

  • O cerco e o saque de Constantinopla

O ataque para recuperar o trono ocorreu em 1203. Os venezianos cercaram a cidade pelo mar, enquanto os francos atacaram por terra. Em pouco tempo os usurpadores fugiram da cidade e Isaac II foi reentronizado. Todavia, as promessas feitas por Aleixo não foram plenamente cumpridas e muitas divergências culturais entre latinos (ocidentais) e bizantinos começaram a aflorar naquelas circunstâncias.

Os cruzados, então, decidiram atacar o imperador e sitiar Constantinopla. O primeiro ataque foi rechaçado. Todavia, em abril de 1204, um novo ataque, mais forte e mais incisivo foi articulado. O resultado foi um dos mais violentos da história das Cruzadas. A cidade foi completamente sitiada e subjugada. Saque, depredação, violação propagaram-se na capital do Império Bizantino. Como escreve o historiador Hilário Franco Jr.:

[…] Seguiram-se vários dias de desordem, com os latinos matando, queimando, violentando, mas sobretudo saqueando, apossando-se das imensas riquezas de Bizâncio. Segundo um participante e cronista do acontecimento, “os ganhos foram tão grandes que ninguém saberá dizer o montante em ouro e prata, baixelas, pedras preciosas, tecidos de cetim e de seda, peles e todos os mais ricos bens que jamais foram encontrados na Terra”. Dentre as riquezas saqueadas destacavam-se as relíquias, de que Constantinopla era rica, e que foram então espalhadas por toda a Europa. [1]

No lugar do poder bizantino, foi erguido o chamado Império Latino de Constantinopla. O nobre eleito para governá-lo foi Balduíno, Conde de Flandres. Esse império duraria até 1261, quando Miguel VIII Paleólogo reconquistou Constantinopla com o auxílio dos rivais dos venezianos, os genoveses.

NOTAS

[1] FRANCO JR., Hilário. As Cruzadas. Ed. Brasiliense: São Paulo, 1989.


Por Me. Cláudio Fernandes

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