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Batalha de Salamina

Idade Antiga

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As Guerras Médicas, que se desenrolaram entre os anos de 490 a 479 a.C., constituíram, na história, o primeiro grande confronto entre forças ocidentais e orientais. Elas receberam esse nome em referência à civilização persa, que, nessa batalha, enfrentou as poleis (cidades-estado) gregas. Os gregos conheciam os persas pela denominação “Medos”, por isso a expressão “Guerras Médicas”, que também podem ser chamadas de “Guerras Persas” ou “Guerras Medopersas”. Uma das mais decisivas batalhas que gregos e persas travaram foi a Batalha de Salamina, isto é, uma batalha naval que ocorreu em torno da ilha grega que lhe dá nome.

A Batalha de Salamina ocorreu em 480 a.C. e teve como principais protagonistas o general e grande estrategista militar Temístocles (525 a.C. - 459 a.C.), de Atenas, e o rei persa Xérxes I (518 a.C. - 465 a.C.), filho de Dario I. Xérxes comandou um contingente de cerca de 200 mil homens contra as cidades-estado gregas. Dez anos antes, em 490 a.C., os persas já haviam tentado submeter as cidades gregas ao seu jugo na Batalha de Maratona, mas fracassou. A estratégia de Xérxes, entretanto, buscava reunir um número muito superior de soldados e a ocupação e destruição de pontos estratégicos da Hélade (como era conhecida a Grécia à época).

Para tanto, Xérxes construiu pontes móveis sobre o estreito de Helesponto (hoje Dardanelos) e sobre o rio Estrímon, utilizando embarcações, madeiras e cordas. O longo trabalho de Xérxes indicava a preparação para uma guerra de dimensões muito maiores que as anteriores, cujo objetivo claro era dominar as cidades da Hélade. Os gregos sabiam que deveriam preparar-se para combater um exército de imensa proporção.

Segundo o que contam os historiadores e poetas da época, como Heródoto e Ésquilo, Temístocles intuiu que a guerra contra o persas só poderia ser vencida no mar. Houve então uma grande pressão da marinha ateniense sobre a eclésia (assembleia) para que se aprovasse a construção de mais embarcações militares.

Nos campos de batalha (em terra), por sua vez, o exército de Xérxes mostrou-se praticamente imbatível, desobstruindo todas as resistências, incluindo aquela montada pelos espartanos no desfiladeiro de Termópilas. Xérxes então marchou com suas tropas até a cidade de Atenas, que estava à frente das estratégias. Mais uma vez, a resistência grega foi quebrada e a cidade-estado foi ocupada e queimada.

Com a ocupação de Atenas, a estratégia que restava era montar resistência na ilha de Salamina. A marinha ateniense seguiu o plano de Temístocles de encurralar as embarcações persas e destruí-las ao longo da costa de Salamina. A batalha durou cerca de 12 horas. Por fim, os gregos conseguiram fazer com que Xérxes e suas tropas afastassem-se da Hélade.

O comando de Temístocles sobre a Batalha de Salamina garantiu a integridade da Grécia livre, como assinala o pesquisador José Ribeiro Ferreira:

E assim, prontos os barcos a tempo e dirigidos por um comandante hábil e de visão, foram com mestria utilizados na invasão de 480, e a sua atuação mudou a história de Atenas, a da Grécia e até a da Europa. Decorria o início do século V a.C., e a Grécia ainda não havia chegado ao apogeu do período clássico nem produzira as suas mais importantes realizações culturais. E dado que a cultura europeia – e por extensão a ocidental – é profundamente devedora da grega, mesmo quando recebida através da romana, ou de outras posteriores, naturalmente não será difícil imaginar que a nossa cultura seria hoje bem diferente se a vitória em Salamina tivesse pendido para o lado dos Persas”. [1]

NOTAS

[1] FERREIRA, José Ribeiro. Um momento crucial para a Europa: As Guerras Medopersas (490-479 a.C.). Revista Debater a Europa. n. 7. jun. Dez. 2012. p. 12.


Por Me. Cláudio Fernandes

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